Empresas apostam em brindes e amostras como estratégia de posicionamento de marca
De influenciadores que recebem presskits luxuosos de grandes marcas a pequenos empreendedores que distribuem amostras nos bairros onde atuam, a lógica é a mesma: o primeiro passo da experiência é experimentar. E, para muitas empresas, esse é também o primeiro passo do posicionamento.
A estratégia de oferecer brindes, amostras e permutas como forma de divulgação é amplamente utilizada no mercado – seja por gigantes do varejo ou por marcas em fase inicial. Test-drives em concessionárias, degustações em supermercados, cortesias de clínicas e pacotes promocionais em academias são exemplos comuns de ações que buscam apresentar o produto ou serviço ao público de forma prática, direta e com potencial de fidelização.
Para a especialista em branding e posicionamento de marca, Petúnya Rébuli, essas ações podem ser muito eficazes quando fazem parte de um plano bem estruturado. “Oferecer algo gratuitamente ou com custo simbólico é uma forma de gerar aproximação. De despertar a curiosidade, criar vínculo e abrir espaço para que o público conheça o valor do que está sendo oferecido”, afirma.
Ela destaca que a experimentação transforma o discurso da marca em algo palpável. “Em um mercado saturado de promessas, experimentar é o que faz o discurso se tornar concreto. Não à toa, tantas marcas constroem sua reputação a partir da experiência real com seus produtos e serviços”, explica.
No entanto, Petúnya alerta que nem toda ação desse tipo gera resultado. “O que diferencia uma amostra estratégica de uma simples distribuição de brindes? O planejamento. A estratégia. O alinhamento”, pontua.
Para empresas que buscam se posicionar ou se reposicionar no mercado, é importante refletir sobre os objetivos da ação e garantir que ela esteja conectada à identidade da marca. “Vale a pena se perguntar: esse brinde ou amostra está chegando às pessoas certas? Existe uma expectativa clara sobre o que se espera em troca? A entrega representa, de fato, o que a marca quer comunicar sobre si?”, sugere a especialista.
No caso de permutas com influenciadores ou parceiros de divulgação, o cuidado deve ser redobrado. “Existe, sim, uma troca – e ela precisa ser justa e acordada. De um lado, a marca entrega um produto ou serviço. Do outro, espera-se que a pessoa influencie positivamente sua audiência. Mas isso só acontece com naturalidade e verdade quando há identificação mútua, briefing claro e uma boa negociação”, diz Petúnya.
Para ela, o sucesso dessas ações está diretamente ligado ao profissionalismo e à intencionalidade da marca. “O objetivo não deve ser apenas ‘aparecer mais’, mas sim construir uma imagem sólida e coerente. A experiência pode, sim, começar com uma amostra, mas precisa se desdobrar em conexão, percepção de valor e desejo de continuidade”, conclui. “Afinal, experimentou, gostou… e agora quer mais.”
