Feng Shui na mesa de estudos: como o ambiente pode ajudar seu filho a estudar melhor na volta às aulas
Com o retorno às aulas, muitas famílias enfrentam um desafio comum: ajudar crianças e adolescentes a retomarem a rotina de estudos com mais atenção, organização e motivação. Um levantamento recente do Projeto Brief, plataforma que compartilha análises e dados em campos sociais, mostra que quase metade das crianças e adolescentes brasileiros demonstram dificuldade de foco por causa do tempo excessivo diante das telas, o que torna o ambiente físico um fator decisivo no processo de aprendizagem. Nesse contexto, o Feng Shui, técnica chinesa milenar de harmonização de ambientes, pode contribuir com ajustes simples no espaço de estudos, favorecendo o foco.
Segundo Belisa Mitsuse e Estefânia Gamez, arquitetas especialistas em Feng Shui e sócias do BTliê Arquitetura, a mesa de estudos representa simbolicamente o lugar do aprendizado, do desenvolvimento intelectual e da construção da autonomia. “O ambiente onde a criança ou adolescente estuda influencia diretamente a forma como ela se relaciona com o conhecimento. Um espaço organizado e acolhedor transmite segurança, reduz a dispersão e facilita a concentração”, explica Tef.
As especialistas destacam que não é necessário ter uma sala apenas para os estudos para aplicar os princípios do Feng Shui. “Mesmo em mesas pequenas no quarto, é possível fazer ajustes simples que ajudam a criança ou o adolescente a se sentir mais focado e disposto a estudar”, afirma Bel.
Entre os pontos considerados essenciais pelas profissionais, estão:
1 – Posicione a mesa de estudos de forma que eles se sintam seguros
No Feng Shui, a chamada posição de comando também se aplica ao espaço de estudos. O ideal é que a criança consiga visualizar a porta do ambiente enquanto estuda, sem ficar diretamente alinhada a ela. Essa configuração transmite sensação de controle e segurança. “Quando a criança estuda de costas para a porta ou em locais com muita circulação, o corpo tende a entrar em estado de alerta, o que dificulta a concentração”, explica Tef, reforçando ainda que se trata de algo essencial no caso das crianças e adolescentes, que tendem a se dispersar mais facilmente.
Outro ponto importante é o apoio atrás da mesa, como uma parede ou um móvel firme, como uma estante de livros. Esse suporte simbólico está relacionado à sensação de amparo e estabilidade. “Para crianças e adolescentes, esse apoio ajuda a fortalecer a autoconfiança e a segurança emocional durante o processo de aprendizado”, complementa Bel.
2 – Iluminação adequada e objetos que favoreçam o foco
A iluminação é um fator essencial no ambiente de estudos. Segundo as especialistas, sempre que possível, a mesa deve receber luz natural, evitando sombras e reflexos que causam cansaço visual. À noite, luminárias com luz direcionada e confortável ajudam a manter a atenção sem gerar fadiga.
Em relação aos objetos, as arquitetas orientam que a mesa tenha apenas o necessário para o momento do estudo e itens pontuais que reflitam o objetivo da criança ou adolescente. “Excesso de brinquedos, enfeites ou estímulos visuais podem distrair, principalmente crianças menores; assim como o celular em cima da mesa de estudos também pode tirar o foco do adolescente. O ideal é que os objetos tenham relação com o aprendizado e os objetivos e tragam sensação de organização”, explica Tef.
Bel reforça que a limpeza da mesa também é fundamental. “Papéis acumulados, materiais quebrados ou objetos sem uso podem refletir confusão mental. Uma mesa organizada ajuda a criança a organizar também o pensamento”, afirma.
3 – Aplique o Baguá à mesa de estudos
O Baguá, mapa energético do Feng Shui que divide o espaço em áreas relacionadas a diferentes áreas da vida, também pode ser aplicado à mesa de estudos de forma simples e lúdica. As arquitetas explicam que basta imaginar a mesa dividida em nove partes iguais, como uma grade de três por três, considerando a borda mais próxima da criança como a base do mapa.
“Cada área pode ser estimulada de maneira equilibrada e intencional, sem necessariamente mudar o quarto inteiro. Isso é feito a partir da escolha de cores, materiais, objetos adequados à idade, aos objetivos de estudo e em disposições estratégicas que reforçam o aprendizado”, explica Bel.
- Trabalho e aprendizado (base central): Relacionada ao foco e à rotina de estudos. É um bom local para o caderno principal, livro que está sendo utilizado no momento ou computador para pesquisas.
- Sabedoria e conhecimento (base esquerda): Ligada ao aprendizado e à memória. Pode receber livros, agendas ou um dicionário.
- Amigos e apoio (base direita): Representa ajuda e cooperação. Pode ter uma foto discreta de amigos ou um objeto que traga sensação de acolhimento e apoio.
- Família e base emocional (meio esquerdo): Fala de segurança emocional. Objetos de madeira ou algo que remeta à estabilidade, como uma fotografia da família, ajudam a fortalecer essa área.
- Saúde e equilíbrio (centro da mesa): Deve permanecer livre e organizada, facilitando o fluxo de energia e evitando sensação de sobrecarga.
- Criatividade (meio direito): Área ligada à imaginação e expressão. Pode ter lápis coloridos, um caderno de desenhos ou materiais artísticos.
- Prosperidade (topo esquerdo): Associada ao desenvolvimento e crescimento. Pode receber um objeto que simbolize metas ou sonhos da criança ou adolescente.
- Sucesso e reconhecimento (topo central): Relacionada à autoestima, crescimento e visibilidade. Pode conter objetos que façam a criança ou adolescente sentirem-se orgulhosos de si mesmos, como um certificado de honra ao mérito, por exemplo. Também é um ótimo local para uma luminária.
- Relacionamentos (topo direito): Fala da convivência e socialização. Objetos em pares ou que simbolizam amizade ajudam a ativar essa área.
Para as arquitetas, mais do que regras rígidas, o Feng Shui aplicado ao ambiente infantojuvenil deve respeitar a personalidade de cada criança e adolescente. “Quando o espaço de estudos é pensado com intenção e cuidado, ele se transforma em um aliado no aprendizado, os ajudando a se sentirem mais confiantes, organizados e motivados”, conclui Tef.
